28 de janeiro de 2015

"2015: O que muda na Inclusão Digital?" by @coletivodigital

Incorporamos o post que segue, por compartilharmos das ideias e questões comuns pontuadas pelo autor, sobre os dos telecentros do país, quanto as políticas públicas de inclusão digital, qualificação das unidades, democratização do conhecimento, cultura livre, etc.

by Coletivo Digital


"Novo governo, novo Ministério e mudanças na Política Pública para Inclusão Digital? 
Muitos de nós, que militamos no chamado movimento telecentrista, cultura livre, cultura digital, temos nos perguntado o que virá.  
Quem ocupará a Secretaria Nacional de Inclusão Digital?  
Mas, essa é a pergunta certa?  
Nós, do Coletivo Digital, acreditamos que não. Para os telecentros, para todas as regiões do país, para aqueles que estão desconectados, o que queremos saber é para onde vai a Inclusão Digital a partir de 2015.  
Vamos superar a desconstrução dessa política pública em nosso país?  
O Plano Nacional de Banda Larga vai ter a amplitude, qualidade e chegar ao país todo?  
Vamos ter apoio e infraestrutura para ampliar programas, ainda hoje limitados, em todas regiões?  
Como ficarão esses programas nas regiões mais afastadas?  
Enfim, qual a prioridade que será dada as políticas e programas de combate à exclusão digital?  
Qual o montante de investimento e recursos disponíveis para a manutenção e implantação destes Programas?  
E como serão tratados compromissos, entregas, recuperação que não foram cumpridos na gestão passada?  
Já começamos a dar nossas respostas no debate que fizemos sobre a nossa prática e o nosso percurso nas ações de inclusão digital e cultura digital.  
Em artigo publicado na revista A Rede (que por falta de recursos teve que acabar com sua versão impressa), nosso diretor Wilken Sanches já adiantou por que caminhos vão nossas reflexões.  
Somente para pontuar destacamos:  
- Para além da modernização da infraestrutura dos telecentros, precisamos pensar em uma readequação da própria concepção e a missão desses espaços públicos. Montagem de espaços vocacionados, participação popular, estímulo a micro redes territoriais e o foco na produção de conteúdos deveriam nortear as falas que pretendem apresentar um novo modelo para a inclusão digital.  
- Pouco ou nenhum investimento na infraestrutura desses equipamentos fez com que telecentros se tornassem depósitos de computadores obsoletos, com velocidades de conexão insuficientes para que os usuários possam fazer uso de serviços básicos na rede, como assistir a um vídeo. Projetos que se resumem a doação de computadores para entidades do terceiro setor, tornaram-se um meio eficiente de empresas privadas e estatais descartarem seu lixo eletrônico.  
A falta de investimentos não se restringe apenas à infraestrutura dos projetos, a cada nova versão lançada dos telecentro, o Estado tenta se eximir mais das despesas de custeio desses espaços, transferindo a manutenção de equipamentos, conexão e funcionários para entidades parceiras. A falta de investimentos principalmente na formação dos profissionais que atuam nos telecentros fez com que as atividades oferecidas por estes espaços envelhecessem junto com os equipamentos que estão a disposição dos usuários. Com raras exceções, os cursos oferecidos pelos telecentros Brasil a fora, são basicamente os mesmos que eram oferecidos em 2002. Seja porque o hardware ou a conexão do telecentro não permitem inovações ou porque os profissionais da unidade não possuem treinamento adequado para fornecerem novos cursos.  
Por último, fica também a pergunta se o governo federal vai continuar sendo parceiro da promoção e realização das Oficinas de Inclusão Digital e Participação Social.  
Ultimamente, nomes de companheiros das nossas trincheiras digitais tem sido levantados para ocupar a Secretaria de Inclusão Digital. Respeitamos e sabemos que continuarão na luta, como sempre fizeram ao longo da última década.  
Saberão compreender a posição do Coletivo Digital: para o movimento social que milita pela inclusão digital importa menos o nome de quem vai ocupar a SID, o que importa de verdade é vermos respondidas as perguntas que há muito não conseguimos respostas.  
Para o movimento telecentrista, importa mais reabrir os espaços de conversa com o Poder Público, importa mais ter incidência real na definição dos caminhos que serão trilhados.  
Decidimos não subscrever nenhuma lista de apoio a este ou aquele nome, mas, estaremos prontos e dispostos a fazer o debate, a pensar junto e, principalmente, agir para tirar nosso país da exclusão digital."

(Post do Coletivo Digital1, publicado em sua página no facebook, em 28-01-2015. O mesmo pode ser visualizado aqui.)

1 O Coletivo Digital é uma Organização Comunitária, sem fins lucrativos, que trabalha com Cultura Livre, Inclusão Digital e Software Livre.

Nenhum comentário: